Conhecendo a Vila Karen com crianças - a tribo das mulheres girafas

Foram alguns dias de pesquisa até decidirmos que faríamos esse passeio para conhecer as mulheres de pescoço longo, na Tailândia. Vários textos tratavam o local como zoológico humano, diziam que o turismo obrigava as mulheres a continuarem com uma tradição talvez sofrida, com argolas no pescoço e algumas mais nas pernas e tornozelos. 

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Por outro lado, o turismo seria um meio delas sobreviverem, em um país em que a pobreza é algo bem real.
Decidimos que precisávamos ter a nossa visão e fomos. 
A primeira questão sobre nossa experiência ter sido algo diferente e especial, é que estávamos com as crianças. 
As mulheres estavam sentadas em suas barraquinhas de artesanato trabalhando nos teares ou cuidando de seus filhos. E esses foram os fatos que chamaram a atenção dos meninos. Eles queriam entender como funcionavam as máquinas de fazer tecidos e queriam brincar com as crianças. Sentaram nas banquinhas, dividiram e trocaram brinquedos, e se divertiram com os cachorrinhos de estimação das famílias. 
Sobre os colares e pescoços compridos? O único que chamou a atenção deles foi um colar comum, porém colorido. Não fizeram qualquer pergunta ou menção às argolas, que eram o motivo de estarmos lá.  
Nós ficamos conversando e tentando entender um pouco sobre aquela tradição e sobre as condições em que elas viviam ali.
As primeiras, vieram fugidas da guerra que espalhava fome por Myanmar, seu país de origem. Hoje, existem novas ondas migratórias de pessoas que vêm pra cá trabalhar. Nem todas têm argolas no corpo e algumas têm poucas, com o tamanho do pescoço ficando normal. Podem usar a partir dos 3 anos de idade e chegar ao máximo de 30 argolas. 
Não são cidadãs tailandesas e parece que a situação de permanência no país  não é muito estável ou legalizada. Perguntamos sobre escola e nos disseram que as crianças mais velhas frequentam. As outras, passam o dia na vila com seus pais. As mães trabalham e cuidam dos pequenos. 
Nossa impressão ao final? Alguns turistas tratam o local sem muito respeito às pessoas, simplesmente parando e tirando fotos, sem ao menos pedir ou trocar qualquer palavra com as pessoas. Nós nos sentimos mal vendo essas cenas e pudemos imaginar como pode ser ruim, estando no lugar delas. 
Sobre a situação daquele povoado? Achamos de certa forma, triste. Não pelas argolas em si, mas pela pobreza.  Não achamos muito diferente de outras vilas que visitamos para conhecer e ver as culturas de povos minoritários, como os que vimos no Vietnã, ou até mesmo no Brasil, quando pensamos nos quilombos e tribos indígenas, que muitas vezes mantém tradições e utilizam o turismo como forma de sobrevivência. 
O ruim mesmo é a existência de tamanha desigualdade econômica e social no mundo. Parece que essa foi a forma que esse povo encontrou para sobreviver. Acho sim que talvez elas não quisessem usar os colares pesados e preferissem ter uma outra forma de viver. Mas também parece que usam suas tradições da melhor forma, como uma atividade econômica, como forma de saírem da miséria e sobreviveram nesse nosso mundo cruel e desigual.

Em Myanmar

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Depois, visitamos o país de origem dessas mulheres, Myanmar. Em Bagan e em Inle Lake, encontramos algumas delas, em locais turístico, tirando fotos e vendendo seus artesanatos típicos. São originárias do estado Shan, de um vilarejo que fica a 3 horas de carro saindo do lago, em Loikaw. Não encontramos muitas informações sobre como fazer essa visita, antes de chegarmos ao país. E mesmo em Myanmar, quando perguntamos, chegaram a nos dizer que elas ficavam em uma zona que chamam de cinza, que quer dizer que só pode ser visitada com uma autorização prévia do governo. Apenas quando chegamos no lago, foi que recebemos a informação correta. Há como fazer um roteiro de bate e volta para visitá-las, ou até dormir pela região e fazer um passeio mais tranquilo. Como não havíamos nos programado e um de nossos pequenos começou a ficar gripado, infelizmente, não conseguimos ir. Mas encontramos, como disse, algumas delas no lago e em Bagan. Em nossas conversas, descobrimos que a realidade é parecida com a que vivem na Tailândia: migram para essas regiões mais turística do país para sobreviverem, conseguirem trabalho, já que a vila em que nasceram não é muito visitada e não há muitos recursos.

Da mesma forma que nos disseram em Chiang Rai, nos falaram aqui que as novas gerações são um pouco mais livres, que podem escolher se colocam os colares ou não (apesar de termos visto uma menina de 5 anos já com alguns no pescoço) e também podem escolher quantos colares são colocados. Existem alguns supostos motivos para a tradição e os 2 que nos disseram em Myanmar foram: a proteção contra ataques de tigres e a ideia de ficarem parecidas com dragões que são figura sagradas, assim, como acreditam ser as mulheres.

Como visitar as mulheres girafas

Veja como foi nossa visita em Chiang Rai, na Tailândia clicando aqui.

Mas minha maior recomendação, que nós teríamos feito se tivéssemos conseguido informações, é visitar as mulheres em seu país de origem. Veja aqui como fazer.