Como foi cuidar das crianças doentes em um lugar com tão poucos recursos

Primeiro, existem alguns pontos fundamentais que valem para qualquer viagem com crianças, que já comentei em outro post sobre crianças doentes em viagens, clique aqui para ver:

1.     A premissa de que eles são crianças saudáveis e portanto, mais fortes do que a gente imagina.

2.     Pegar alguns resfriados e viroses, faz parte do desenvolvimento dos pequenos. Vão acontecer estando em casa ou não e na maioria das vezes, são quadros leves, e que se resolvem sozinhos, em alguns dias.

3.     Existem crianças no mundo todo e portanto, hospitais, médicos e remédios.

4.     Um bom seguro de viagem. Mais do que pagar a despesa médica, é bom para indicar um bom serviço médico.

5.     Ter um pediatra de confiança no Brasil que possa te ajudar à distância

6.     Quando há o início de um quadro, sempre se informar dos recursos médicos disponíveis no local onde está, caso seja necessário. Caso esteja em algum lugar mais no interior, com poucos recursos, talvez seja interessante procurar as alternativas mais próximas. No nosso caso, por exemplo, havia Yangon, a 40 minutos de vôo de Bagan e Bangkok (um dos hubs de estrutura em saúde para a Ásia) a 2 horas.

7.     Sempre manter a calma e lembrar de quantas vezes tivemos que procurar um hospital quando as crianças ficaram doentes em casa

8. Pensar no quanto é bom poder estar o tempo todo do lado deles nesse momento, já que não vai precisar sair pra trabalhar.

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Os meninos ficaram 4 meses sem quadros febris e os últimos haviam sido bem tranquilos. Gripes em que faziam 2 ou 3 picos de febre baixa e tudo voltava ao normal em 2 ou 3 dias.

Myanmar, não é um país muito desenvolvido e tudo acaba sendo um pouco precário em termos de estrutura. As cidades maiores, como Yangon e Mandalay têm hospitais grandes e até, com standard internacional, que significa, entre outras coisas, ter pessoas que falem inglês.

Já em Inle e em Bagan, que são cidades do interior, existem pequenas clínicas, apenas.

Em Bagan, logo que vi que o resfriado seria algo um pouco mais intenso do que o normal e que, seguindo o Antonio, o Gabriel também poderia ter quadros longos de febre, procurei me informar sobre a estrutura de saúde da cidade. Com o turismo crescente, havia uma clínica nova, com standard internacional, com exames complementares e oxigênio. Para as possíveis complicações de uma gripe, como um quadro mais intenso de bronquite, uma pneumonia ou uma convulsão febril, esses recursos seriam suficientes. A própria clínica também fazia transporte aéreo direto para Bangkok ou Singapura, caso fosse necessário. Esses são 2 centros de referência médica aqui na Ásia.

Com isso, fiquei mais tranquila em permanecer na cidade. Uma opção, seria cancelar tudo e pegar um vôo para Bangkok e ficar cuidando dos meninos lá.

Preferimos ficar na cidade que era bem calma, já que eles estavam relativamente bem, apesar do quadro mais prolongado de febre. Nos intervalos dos picos febris, brincavam pulavam e estavam comendo normalmente. Toda a mudança de cidade, com vôo, seria cansativa para eles.

Conversamos com a Dra. Gabriela Castello, médica dos meninos que foi nos dando orientações, usando a nossa farmacinha, que temos na mala, e no fim, tudo correu bem.

Não vou dizer que foram dias fáceis. Claro, que emocionalmente a vontade era de estar na segurança e zona de conforto de casa. Choramos com eles algumas vezes, tive dúvida se estava tomando as decisões certas...

Mas racionalmente, como já disse outras vezes, tudo correu como se estivéssemos em casa: cuidados básicos, descanso e discussões com a pediatra.
A vantagem é que quando estamos 100% do tempo com eles, estamos também 100% disponíveis para dar colo e cuidar das crianças. Em casa, eu poderia ter que trabalhar o dia todo ou até, estar viajando a trabalho, longe deles..